• Startup Experience

Aplicativos de transporte miram nichos para ganhar mercado no CE


Levantamento do Núcleo de Negócios do Sistema Verdes Mares revela que são, pelo menos, 17 plataformas ativas na Capital. Para especialistas, empresas terão que realizar aquisições ou parcerias para se manter no meio

Os fortalezenses têm ganhado mais opções de aplicativos para deslocamento na Capital com o crescimento desse mercado. Pesquisa realizada pelo Diário do Nordeste mapeou pelo menos 17 plataformas que atuam na cidade. Para sobreviver perante a concorrência, as empresas têm apostado em nichos como corridas focadas para atender mulheres, pessoas com animais de estimação ou com deficiência, por exemplo.


A tendência, segundo especialistas da área, é de que os recortes de público-alvo sejam cada vez mais específicos para que as empresas abocanhem uma parte desse mercado - e que aquisições ou parcerias deverão acontecer no futuro para que elas possam se manter em atividade.


Estão disponíveis em Fortaleza os aplicativos Uber, 99, UNI4, Servos, Urban, Táxi Tuber, Canário Brasil, Moobi, Bella Driver, OP (Os Paulos), Return, Divas, 26 True, Top Bus +, In Driver, Cabify e SindiTáxi. Dos 17 mapeados, 13 já estão cadastrados pela Prefeitura e já repassam os impostos cobrados pela administração municipal no valor final da corrida. Procurados pela reportagem, apenas seis se manifestaram até o fechamento desta edição.


Segmentação

Na avaliação de Marcelo Silveira, professor de Empreendedorismo, Inovação e Startup da Faculdade Ari de Sá, algumas empresas do segmento já estão adquirindo outros negócios para ganhar capilaridade e relevância. "Essas empresas de aplicativo de transporte estão adquirindo outras empresas (que não são necessariamente de logística) e vão se tornar megablocos, como a Uber está fazendo", aponta, em referência ao Uber Eats, plataforma de entrega de comida da empresa.


Silveira explica que, com a saturação do segmento de aplicativos de transportes, a aposta em nichos específicos, como serviços para mulheres ou pessoas com deficiência, é uma alternativa para se manter no mercado. "Elas estão tentando segmentar para fugir da 'uberização' e agregar dentro da sua base, garantindo demanda", argumenta.


Em relação aos preços das corridas, o professor destaca que vários fatores externos e internos podem influenciar precificação elevada para o consumidor, principalmente com o conceito de "tarifa dinâmica", utilizado por algumas dessas plataformas.


"O mercado atual está valorizando a moeda americana. A longo prazo, só vai valer a pena se essas empresas de base tecnológica tiverem outros valores agregados ou empresas parceiras. Além de investir na fidelização do cliente, porque a diferença das grandes e das pequenas é o poder de barganha. Algumas oferecem desconto no aplicativo de transporte e outro de entrega de comida. E o consumidor se sente forçado a adquirir os dois".


Em contrapartida, o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon), Anderson Bezerra, argumenta que existe também a possibilidade de os preços não subirem tão rapidamente. "Antes, era uma demanda reprimida, porque só tinha táxi. Agora, é um dos mercados mais dinâmicos que se tem, mostrando a oferta e demanda em tempo real. A variação de preços talvez possa se estabilizar com a saturação do serviço", salienta.


Tentando seguir o ritmo, os táxis convencionais têm se adaptado ao mercado para manter espaço. Bezerra aponta que o segmento já realiza parcerias para manter o volume de demandas. "Esse nicho ainda tem espaço por duas razões. A primeira é que as viagens por táxis tradicionais ainda dão uma margem de lucro maior para o motorista do que as dos aplicativos e isso faz com que eles consigam se manter. A segunda explicação se deve porque a categoria tem feito parcerias com cooperativas públicas para realizarem seus serviços para órgãos do Município ou Estado. É uma tendência", explica.


Versatilidade

A primeiro a atuar na Capital, em 2016, e uma das mais populares entre os fortalezenses, a Uber oferece diferentes opções de corrida em carros particulares em que o preço exibido é fixado até o fim da viagem. Pesam na composição o preço base, custo fixo, tempo de viagem, distância da rota, taxas municipais e pedágios. Além disso, o valor também depende da tarifa dinâmica, relacionada à demanda e a oferta de motoristas na região no momento da solicitação.


Já a 99, também entre as maiores, oferece duas opções de serviço: carros particulares e táxis convencionais. As tarifas cobradas em corridas de carros particulares seguem dinâmica que varia conforme a cidade e a disponibilidade de motoristas na região, além do tempo de deslocamento e quilômetros rodados. Já as tarifas de táxi seguem as normas estabelecidas pelo Município.


Em momentos de alta demanda, como na temporada de fim de ano, a empresa busca atrair mais motoristas parceiros para dar conta do fluxo. Já em situações imprevistas, como a de fortes chuvas, por exemplo, o aplicativo atua de acordo com o cenário e impacto em cada cidade. A empresa informa não haver mudanças planejadas previamente nos valores, que dependem da oferta e demanda no momento da chamada.


Em caso de congestionamento no trânsito ou alterações nas rotas, o preço da corrida também pode aumentar. Há apenas quatro meses em Fortaleza, o aplicativo In Driver se diferencia dos outros por permitir que o usuário sugira o valor da corrida e os motoristas do perímetro que respondem se tiverem interesse em realizar a corrida. Na tela do aplicativo, o usuário pode escolher entre os motoristas interessados qual o veículo desejável. Há também uma tabela com preços referência entre distâncias mais comuns na cidade. Porém, em relação ao pagamento, o aplicativo só oferece a opção em dinheiro, pelo menos, por enquanto.


Táxis

Operando somente com táxis convencionais, o Cabify cobra uma taxa de 15% aos motoristas e destina 85% do valor da corrida para eles, além de cobrar 2% em impostos municipais no valor. Para os consumidores que pegam congestionamento diariamente, o aplicativo tem a vantagem de não aumentar o valor da corrida mesmo nessas circunstâncias.


Também operando apenas com táxis tradicionais, o aplicativo SindiTáxi oferece 30% de desconto sobre o valor computado pelo taxímetro em todas as chamadas pelo aplicativo. Em Fortaleza, são seis mil motoristas cadastrados. Os preços variam conforme a bandeira utilizada, que depende do horário. No bandeira 1, cobrado de segunda a sexta-feira, de 6h às 20h, e sábados até as 13h, o quilometro rodado custa R$ 2,38; já na bandeira 2, nos demais horários, o valor base é R$ 3,57.


Coletivo

Ainda neste mês de dezembro, Fortaleza ganhou outra opção de transporte via aplicativo. O TopBus+ é voltado para coletivos sob demanda e irá operar inicialmente com 18 Sprinters, com capacidade total para 13 passageiros sentados. Até o momento, a plataforma atenderá pedidos de 11 bairros da cidade, além de regiões que contemplam as universidades da Capital.


Com o aplicativo, o consumidor informa o local em que está, através de GPS, e digita o endereço para onde deseja ir. É possível informar quantos assentos deseja reservar. O aplicativo então mostrará o número do veículo, o nome do motorista e indicará o local de encontro para que a van possa buscar o usuário. O valor mínimo é R$ 3,50 e, a cada quilômetro, será cobrada uma taxa de R$ 1,50.





Diário do Nordeste - Por Bernadeth Vasconcelos, bernadeth.vasconcelos@svm.com.br

0 visualização
logo-rapadura-valley-white

Este site visa estimular o desenvolvimento, engajamento, impulsionamento, evangelização, informação e eventos de inovação aberta, voltado ao ecossistema empreendedor, conectando jovens talentos - e suas ideias mirabolantes - a empresas que buscam por soluções inovadoras.

Aceitamos parcerias nacionais e internacionais com outros produtores, empresas e orgãos governamentais desde que respeitados nossos propósitos, valores e ética.

Contato

Social

  • Instagram

2017-2020 Copyright ©  Startup Experience - Todos os direitos reservados