Sabemos que o

início é difícil!

Por isso, compreender o passado, será uma das informação mais relevantes que sua startup terá para construir o futuro.

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Para entender como tudo começou, é necessário recorrermos a própria história. Por volta de 1900, a Universidade de Stanford pretendia fincar raízes para desenvolver a região Oeste americana.

Nessa época, San Francisco, a maior cidade da região, foi um importante local de pesquisa da Marinha americana, porém, não tinha nenhuma expressão com empresas de alta tecnologia.

Em meados de 1940, um time de físicos do centro de pesquisas da AT&T, em Nova Jersey, criou o transistor, um "semicondutor" que poderia controlar e amplificar sinais elétricos.

O transistor rapidamente começou a substituir outras tecnologias de processamento de sinais e se tornou tão importante que seus três inventores receberam o ‘‘Prêmio Nobel’’ pela criação. Um desses inventores, o cientista do MIT, William Shockley, em 1955, decidiu deixar o laboratório da AT&T e criar uma companhia que produzisse transistores.

Shockley então, escolheu Mountain View, onde nasceu. Conforme gráfico ilustrado abaixo, a região de San Francisco estava muito atrás de cidades como Boston e Nova Iorque quando o assunto era a indústria de chips de computadores.

 

Pesquisas também mostram que para criar uma empresa bem sucedida três coisas são fundamentais: financiamento, clientes e empregados. A falta desses três pontos fundamentais dificultaria e muito a startup de Shockley prosperar.

Em meados de 1950, o exército dos Estados Unidos agia como principal investidor e cliente de empresas de alta tecnologia na região. Mas Los Angeles e São Diego recebiam mais recursos para pesquisa e produção de alta tecnologia que São Francisco. Também era difícil encontrar trabalhadores talentosos, já que engenheiros com experiência em semicondutores estavam concentrados nas cidades que já possuíam empresas especializadas.

Shockley batalhou para superar seus desafios e conseguiu um financiamento de um investidor de fora da Bay Area, mas os talentos eram mais difíceis de encontrar. Então, ofereceu trabalho a antigos parceiros do laboratório de pesquisa da AT&T e outros pesquisadores da RCA, mas eles recusaram, pois a região era tão rural que faltava até serviço de ligações à distância.

Então Shockley tentou recrutar os melhores jovens talentos disponíveis através de anúncios em jornais acadêmicos e viajou pelos Estados Unidos para conhecer estudantes de pós-graduação. A procura rendeu oito promissores engenheiros e pesquisadores que formaram o núcleo de sua nova empresa: três PhDs do MIT, de Boston, um PhD e professor do CalTech no sul da Califórnia, dois desses engenheiros da região de Nova Iorque e um PhD local de Stanford (Jat Last, Robert Noice, ​Sheldon Roberts, Julius Blank, Eugene Kleiner, Jean Hoerni, Gordon MooreVictor Grinish).

Com média de 30 anos de idade, o grupo bastante jovem, tinham fome por novas oportunidades, algo que Shockley estava oferecendo. "Foi como atender ao telefone e conversar com Deus", disse Robert Noyce, um dos PhDs do MIT. "Ele era a pessoa mais importante do mundo no ramo dos semicondutores eletrônicos"


Mesmo tendo construído um belo time, a empresa enfrentava outras grandes dificuldades antes de poder sair atrás dos clientes. Shockley acabou se tornando um péssimo chefe. Ele insultava os seus funcionários e chegou a solicitar que todos fizessem teste de polígrafo. Foi que então, num belo dia, todos os oito funcionários que Shockley havia trabalhado duro para recrutar, renunciaram.

A saída dos oito pesquisadores enfraqueceu a companhia a tal ponto que uma recuperação não foi possível, e Shockley fechou poucos anos depois. A situação também levantou uma dúvida: era possível construir uma empresa de chips de computadores competitiva na região de São Francisco?

UM NOVO COMEÇO. Após a frustraste jornada dos oito jovens talentosos com Shockley, um deles, Eugene Kleiner, escreveu uma carta para um amigo investidor que trabalhava em Nova Iorque - Arthur Rock. Na carta, dizia: "Com a ajuda adequada, esse grupo pode conseguir pessoas mais experientes para trabalhar com eles". "Nós acreditamos que somos muito mais valiosos para uma empresa como um grupo. Nós temos experiência e uma boa diversidade de conhecimento nos campos da física, eletrônica, engenharia, metalurgia e química".

Os oito pesquisadores queriam seguir trabalhando juntos para criar e produzir transistores. O pai de Kleiner tinha contatos no banco que Arthur Rock trabalhava. Kleiner então procurou os investidores dali na esperança de encontrar uma empresa perto que poderia contratar a equipe recém-saída da empresa de Shockley.

Os oito pesquisadores haviam sacrificado suas promissoras carreiras por um trabalho juntos nesta nova indústria. A maioria havia mudado suas famílias por longas distâncias e não estavam prontos para desistir. Rock então, reconheceu o potencial do grupo e acreditava que o time deveria parar de procurar por um empregador e ter um sonho muito maior. "Eu sugeri a eles que deveriam estabelecer uma nova empresa, e veria se conseguiria investimento para isso"

APOIADORES QUE FIZERAM A DIFERENÇA. Arthur Rock buscou mais de 35 potenciais investidores e foi rejeitado em todos os casos. Ele estava prestes a desistir quando foi apresentado ao Sherman Fairchild, um empreendedor serial de Nova Iorque, que concordou em financiar a nova companhia como um negócio independente associado à Fairchild Camera & Instrument (FC&I), uma firma de eletrônicos que ele liderava.

Então, os oito cofundadores nomearam a empresa de Fairchild Semiconductor e abriram o negócio em Palo Alto em outubro de 1957. 

A NOVA EMPRESA DECOLA. Graças ao recursos de Rock, os empreendedores tinham o recurso humano e financeiro necessário, faltando apenas bons clientes. Felizmente, Sherman Fairchild, mantinha boas conexões na indústria de eletrônicos e apresentou os co-fundadores a executivos do setor e os ajudou a assinar o primeiro contrato com a IBM.

Esse relacionamento deu a eles credibilidade com outros grandes clientes. Vendas para a indústria militar rapidamente foram garantidas, incluindo um prestigioso contrato para fornecer componentes para um novo programa de mísseis intercontinentais do Governo Americano.

Os empreendedores rapidamente passaram a ter sonhos maiores e começaram a desenvolver circuitos integrados com cada vez mais poder de processamento. Ao final do terceiro ano, a renda anual da Fairchild ultrapassava os 20 milhões de dólares. Em meados dos anos 1960, o grupo gerava 90 milhões de dólares em vendas e se posicionava como o segundo maior competidor da indústria de chips de computadores. E isso era só o começo!

SPINOFFS, O INÍCIO DA MULTIPLICAÇÃO. O COMEÇO DO VALE DO SILÍCIO.

A expansão da indústria de chips de computadores começou quando os funcionários da Fairchild se inspiraram nos oito co-fundadores e deixaram a firma para criar novos negócios a partir do primeiro – chamados spinoffs. Em 1959, o diretor geral da empresa se demitiu para criar a Rheem Semiconductors. Outros dois grupos de funcionários se afastaram poucos anos depois para fundar as empresas Signetics e Molectro, no mesmo setor.


Esses movimentos tiveram impacto significativo nas pessoas que trabalhavam na Fairchild. "Você tinha esses caras saindo e criando novas companhias que estavam dando certo, funcionavam", disse um ex-gerente. "Você olha ao redor, no espelho e diz: bom, e você? O que você vai fazer?". Os oito co-fundadores se comprometeram em apoiar muitos desses novos empreendedores. Como exemplo, um funcionário considerou criar uma startup para fazer componentes de vidro que a Fairchild utilizava em sua produção, tendo apoio de Kleiner. Noyce e outro co-fundador chamado Jean Hoerni, também atuando no conselho da Applied Materials, uma empresa de equipamentos eletrônicos, e serviram como mentores ao jovem empreendedor.
 

Todas essas inovações, transações e vendas da Fairchild, fizeram dos oito co-fundadores ricos, e não demorou para que eles retomassem as carreiras empreendedoras. "Depois da experiência de criar uma companhia e vê-la crescer, eu só pensava em fazer de novo", disse Jay Last, um dos co-fundadores. Em 1961, ele fez parceria com Hoerni, Kleiner e outro dos oito empreendedores para criar a Amelco, um novo negócio especializado em produzir dispositivos que a Fairchild não vendia.

Moore e Noyce também renunciaram anos depois e iniciaram a Intel, que acabou se transformando na mais poderosa empresa de chips de computadores do mundo. Em 1961, quatro deles deram a Rock (o primeiro investidor da Fairchild) financiamento para criar o primeiro fundo de capital de risco da região, que passou a investir em outras quinze companhias. Outro fundador investiu em um ex-funcionário que lançou a AMD. "Isso é parte do legado da Fairchild que talvez não receba a atenção que deveria", disse Moore. "Cada vez que tínhamos uma nova ideia, nós criávamos duas ou três companhias tentando executá-la".
 

O "VALE DA FAIRCHILD, o precursor do VALE DO SILÍCIO".

Quando a Fairchild Semiconductor ganhou seu primeiro contrato 1958, era a única empresa da região que produzia chips de computadores ou seus componentes. Mas com o compromisso dos oito empreendedores em reinvestir conhecimento e mais capital em startups, acabou transformando a comunidade local. Após 14 anos, quando Hoefler escreveu o artigo que cunhou o nome "Vale do Silício", mais de 30 spinoffs haviam emergido da Fairchild.

Na década de 1970, a área não era mais apenas uma comunidade agrícola e o negócio dos chips de computadores empregava cerca de 12 mil pessoas. O sucesso das companhias de chips que moldou o Vale do Silício não foi um acidente. As ações dos oito co-fundadores da Fairchild estabeleceram um padrão que passou a ser repetido por novas empresas dentro da indústria.

Todas essas transformações só deram certo devido ao processo conhecido como "CICLO DE ACELERAÇÃO DO EMPREENDEDORISMO". O ciclo de aceleração possui quatro passos fundamentais para sua execução:
 

- PRIMEIRO PASSO: SONHO GRANDE. O ciclo começa quando empreendedores procuram construir um negócio grande e escalável em suas comunidades locais. Para isso, eles precisam ter em mente o crescimento do seu negócio na sua região local. Os co-fundadores da Fairchild mostraram ambas as qualidades quando aceitaram os conselhos de Rock e lançaram sua própria empresa em Mountain View.

- SEGUNDO PASSO: CRESCIMENTO. Quando os empreendedores sonham grande alcançam um crescimento significativo em suas empresas. Isso requer acesso a talento, financiamento e clientes. Eles também precisam ter a habilidade para colocar esses recursos no caminho certo. Kleiner, Noyce e os outros empreendedores da Fairchild tinham uma quantidade tremenda de talento dentro da equipe fundadora. O trabalho de Rock os ajudou a ter acesso a investimentos, e Sherman Fairchild os conectou aos seus primeiros compradores.
 

- TERCEIRO PASSO: COMPROMETIMENTO. Os oito co-fundadores poderiam ter utilizado o dinheiro da venda da companhia para sair de San Francisco e ter uma aposentadoria precoce. Felizmente, eles escolheram um caminho diferente. Ao invés de uma aposentadoria em qualquer outro lugar, preferiram permanecer na Bay Area e se dedicaram no apoio às novas empresas.
 

- QUARTO PASSO: REINVESTIMENTO. O último passo do ciclo ocorre quando fundadores de empresas bem-sucedidas são capazes de reinvestir em outros empreendedores e negócios. Os líderes da Fairchild demonstraram três diferentes maneiras para que isso se concretizasse. Eles inspiraram os seus funcionários a lançarem novas empresas e criaram seus próprios spinoffs, como a Amelco e a Intel. Os oito co-fundadores eram investidores do primeiro fundo de capital de risco da região e em novas empresas como a AMD. Eles também serviram como mentores para outros empreendedores locais do setor de chips de computadores. Essas iniciativas ajudaram uma nova geração de empreendedores oriundos do sucesso da Fairchild, e transformar a Bay Area num dos maiores polos industriais do mundo.

A ACELERAÇÃO DO EMPREENDEDORISMO CONTINUA

 

Após lançar a Intel, Noyce continuou apoiando outros empreendedores da região. Quando Steve Jobs estava começando sua carreira nos anos 70, ele regularmente ia para a casa de Robert Noyce e passava horas ouvindo conselhos dos empreendedores mais experientes.

Don Valentine e um ex-funcionário da Fairchild chamado Mike Markkula também apoiaram a carreira de Jobs, garantindo à Apple seus dois primeiros investimentos

Markkula, chegou a ser o primeiro CEO da Apple. Jobs não foi o único empreendedor a ter investimentos de Valentine. Em 1972, ele lançou a Sequoia Capital, que acabou se tornando um dos principais fundos de capital de risco na Bay Area. Sua equipe investiu no Google e na Cisco, assim como em outras centenas de companhias.

Valentine estava lançando a Sequoia, Kleiner co-fundava outro fundo de capital de risco chamada Kleiner Perkins, que também se tornaria muito influente. A companhia criada por Kleiner investiria em empresas como Sun Microsystems, Symantec e Intuit. A influência dos empreendedores da Fairchild continuou crescendo. Jobs seguiu o exemplo de seu mentor Noyce e, discretamente, aconselhou empreendedores ainda mais jovens, como Mark Zuckerberg.

Durante os primeiros anos do Facebook, Jobs saía para caminhadas ao entardecer com Zuckerberg para compartilhar suas experiências. As empresas de capital de risco de Valentine e Kleiner também tiveram êxito no financiamento do Netscape e do PayPal, e alavancaram uma nova geração de fundos de investimentos como a Andreessen Horowitz, a Founder Collective e a 500 Startups.

AUMENTANDO O IMPACTO DA FAIRCHILD. Mais de 130 companhias tecnológicas na Bay Area com capital aberto na NASDAQ (a Bolsa de Valores de tecnologia dos Estados Unidos) ou na Bolsa de Valores de Nova Iorque, cerca de 70% dessas firmas, têm ligação direta com os fundadores ou funcionários da Fairchild.

O impacto total desses negócios é impressionante: essas 92 descendentes da Fairchild empregaram mais de 800 mil pessoas e agora valem mais de 2,1 trilhões de dólares. Isso significa que essas 92 companhias são tão valiosas quanto o Produto Interno Bruto (PIB) anual do Brasil e mais valiosas que o PIB do Canadá, India ou Espanha.

Se nós olharmos além dessas companhias de capital aberto, o impacto da Fairchild é ainda maior. Seriam mais de duas mil empresas a partir dos oito co-fundadores. Somadas às outras firmas que já listamos, também podemos citar eBay, Twitter, Yahoo!, Pixar, Instagram, YouTube, WhatsApp, Oracle, LinkedIn, Electronic Arts (EA), Nest, Yammer, Agilent Technologies, Juniper Networks, SanDisk, NetApp, Xilinx, Altera, Palintir e Linear Technology.

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